Obrigado, Inter! O Coringão já havia "voltado", como gosta de cantar a Fiel Torcida, já havia vencido o Paulistão de forma invicta e já havia mostrado sua força ao Brasil, chegando duas vezes seguidas à decisão da Copa do Brasil. Enfim, não precisava mais provar muita coisa.
Porém, o goleirão Felipe, de algumas falhas em jogos decisivos, queria mostrar aos críticos que é um atleta confiável. E fechou o gol. Alessandro e André Santos queriam provar novamente que não são laterais convencionais. Um, defende e dá assistências como poucos; o outro, tem uma chegada mortal pela esquerda e é hoje o melhor da posição no País.
William não precisava mais provar que se trata de um atleta com inteligência acima da média. Acabou provando, porém, que a burrice de um adversário pode levá-lo ao fracasso. Já Elias e Cristian são a prova de que volantes podem aliar marcação com futebol elegante e passes precisos. Assim como Jorge Henrique provou que viver é sempre lutar por dias melhores. Abandonado pela mãe e criado pela tia, corre em campo de forma incansável, talvez imaginando que cada gota de seu suor significará uma vida mais fácil para a filha, que acaba de vir ao mundo.
Chicão provou que zagueiros podem ser decisivos e Ronaldo é a prova maior da superação de um atleta. Até deixou a desejar na finalíssma, mas já havia sido aprovado com louvor nos testes contra Atlético/PR e o próprio Inter, na primeira decisão. E mais do que aprovada é a trajetória de Mano Menezes. Em um ano e meio no Timão, foram três títulos e um vice em cinco competições disputadas.
São todos heróis do tri-campeonato da Copa do Brasil. Heróis de dedicação comovente ao time do Parque São Jorge. E que provaram ao Inter de Porto Alegre que não se brinca com o time do povo. Desta vez, os derrotados não deram volta olímpica (atitude bizarra dos colorados em 2005), mas tentaram ganhar no grito. Prometeram o inferno fora de campo, mas pouco incomodaram dentro dele.
E pensar que Fernandão, Iarley e outros ex-colorados pouco se esforçaram contra o Goiás, em 2007, para prejudicarem o algoz de dois anos antes. Mal sabiam eles que o rebaixamento apenas seria o trampolim motivacional que o Timão necessitava para dar a volta por cima e, dois anos depois, impedir novamente a glória gaúcha. Aqui se faz, aqui se paga!
"Chuto tão mal que, no dia em que eu fizer um gol de fora da área, o goleiro tem que ser eliminado do futebol." - Dadá Maravilha campeão mundial em 1970 com a Seleção Brasileira e três vezes artilheiro do Campeonato Brasileiro